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Tecnologia: É possível viver offline?

Hoje cedo enquanto esperava para ser atendida no dentista, me deparei com um cenário típico deste século: além de mim, haviam mais 5 pessoas na sala de espera e o mais assustador: todas no celular! 

A sala possuía - além das poltronas - uma mesa de centro e um aparador próximo ao corredor, em cima deles haviam revistas e jornais intactos, esperando que alguma alma generosa fosse até eles e os tirassem daquela monotonia. Mas durante os 15 minutos em que estive na sala, nada feito. Além das revistas e jornais, havia também uma TV de plasma presa na parede e ligada no canal de notícias, mas isso não foi o suficiente para tirar o foco, percebi que a concentração era mesmo no celular. 

E é assim que começo o meu texto de hoje: SERÁ QUE É POSSÍVEL VIVER OFFLINE?



A internet é uma invenção revolucionária, desde que se tornou o meio mais acessível às informações, bilhões de pessoas vivem diariamente conectadas e estar conectada deixou de ser apenas uma diversão e virou necessidade. Meu primeiro contato com a internet foi em 1998, quando meu pai havia comprado um computador e instalou a famosa internet discada, assim que ele me permitiu navegar (após várias recomendações), meus primeiros passos se limitavam a sites de desenho, minha conta de e-mail do zipmail ( incrivelmente sem Spam) e chats do UOL. Hoje a internet deixou de ser apenas uma fonte de pesquisa e se tornou o foco principal de pesquisadores, psicanalistas, nerds, entre outros. Não é pra menos, né?

Devido a facilidade em se conectar, ficou praticamente impossível se anular das tendências e ficar por fora do que rola no mundo virtual, mas onde iremos chegar com esse vício? Posso falar com propriedade desses 16 anos que tenho de conhecimento da vida virtual, que de lá para cá a internet se espalhou como vírus e hoje é a fonte principal de muitas pesquisas e estudos, e graças ao seu avanço a informação passou a chegar mais rápido e mais longe, atingindo diversos lugares simultaneamente. Com o aumento dessa população que não se desconecta, percebi que gastamos horas do dia inutilmente conectados e deixando a parte mais bela da vida passar. 



Conheço centenas de pessoas em minhas redes sociais que usam e abusam da internet para publicar detalhes minuciosos de seus dias e usam da internet sem moderação, ( Adendo: entendo e respeito a diversidade,  opinião alheia, opção e como cada um leva a sua vida, ok?), mas sabemos que tudo o que é demais, não faz bem. De certa forma é essa a minha opinião hoje (pois já fui radical e completamente viciada em internet) e não estou aqui para concordar ou descordar de quem pensa diferente de mim, no entanto fui me dar conta de que perdi parte da minha adolescência mergulhada na vida virtual e abdicando de dias de sol e viagens para ostentar um vício cibernético só após meus 21 anos, quando então resolvi maneirar nas postagens, diminuir a quantidade de vezes que acessava a internet, passei a trocar as horas em frente ao computador por idas ao parque e ler crônicas sempre que podia em revistas e livros.

Minha pergunta é: Você já experimentou se desligar da internet alguma vez por pura e espontânea vontade? Caso sim, persista na prática! Caso não, o que te impede de tentar?



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Essa crônica foi uma reflexão particular e sem pretensão alguma de cultivar a discórdia entre opiniões. O episódio na sala de espera do dentista me trouxe de volta para o mundo real, onde dentro de um espaço com pessoas que não se olhavam, não se comunicavam e pareciam entretidas em seu próprio universo virtual, me resgatou de uma realidade cruel e ora fictícia que nos torna seres apáticos e antisociais. O conceito online e offline reflete a vida em duas esferas espirituais: Quem eu sou e O que eu demonstro ser. Na internet somos quem aspiramos ser um dia e vendemos uma imagem que nem sempre condiz com a nossa realidade, já na vida real ainda caminhamos rumo a essa vida que sonhamos e que damos ao nosso "Eu-virtual" - que é cultivado diariamente através de fotos perfeitas, lugares paradisíacos, festas, presentes, viagens, e muitos outros.

Sabemos que por trás de cada computador, celular, tablet ou qualquer outro eletrônico conectado a rede, somos seres de carne e osso que lutam por um espaço e dignidade, que tem contas para pagar, que sofre por amor, chora, tem imperfeições físicas e pepinos para resolver, enfim, que precisa batalhar para conquistar alguma coisa.

Irei terminar meu raciocínio hoje com apenas uma frase.


Só depois que a tecnologia inventou o telefone, o telégrafo, a televisão, a internet, foi que se descobriu que o problema de comunicação mais sério era o de perto.
Millôr Fernandes


Até breve,
Luciana.



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